16 de agosto de 2017

Sinto falta de TI.


Olho ao meu redor
procuro-te intensamente
e nada vejo além da tua falta
além deste vazio.

passo algumas horas do meu dia
olhando o horizonte
além das brumas que suavemente
se deslocam.
O vazio de não te ter aqui, vai doendo.

Choro em silêncio
as lágrimas se movem em minha face
nas madrugadas que preenchem
os meus olhos dia, a dia...
mais parecem um mar de tempestade.

Sentimento perdido
coração doído
por que não estas aqui.
Procuro entender
procuro respostas
mas todas me fogem, só para dar lugar
Às dúvidas que me secam a alma.

Sinto-me perdida… perdi o norte
perdi a sorte, da minha vida,
que hoje se faz de recordações. 


6 de agosto de 2017

BENDITA A NOITE



É tão linda a tua cor
Do teu rosto moreno
Bendito esse teu brilho
Do teu olhar ladino
O sol que te aquece
Neste inverno sereno
A tua voz traduz
Um som quase divino

Abençoada a noite
Ditosa conselheira
 Corpos entrelaçados
Na fúria de um abraço
Bendita seja a lua
Amante e companheira
Deste meu peito ardente
Que dorme em teu regaço

Bendita seja a luz
Meu poema perdido
Que rimas as palavras
De sofrimento e dor
Bendito seja Deus
Em seu altar divino
Meu enorme clarão
meu sonho redentor


3 de julho de 2017

RIR OU CHORAR



Nem sempre quando riu estou alegre
Nem sempre quando choro estou triste
Por vezes a ironia da verdade
Mistura sentimento que não existe.

Há lendas que nos marcam nossa história
Descritas com rigor e rectidão
Que fala dos que riem sem glória
E daqueles a quem chora o coração.

Chorar por sentimento é bem banal
Dum bem que foi embora para sempre
Sorrir pode até ser natural
Do mal que nos magoa amargamente.

E como tudo isto disfarçar
É fogo que nos vai sempre queimando
É bem melhor sorrir do que chorar
Sabendo gargalhar de vez em quando.

Nina

15 de junho de 2017

A Beira Tejo


Há beira Tejo eu deixo a minha pegada
E a tristeza de gaivota abandonada
Vejo a maré que já vem alta
Quero encontrar a ternura que me falta. 
Olho pró mar, esperança vazia
Buscando a sorte hora tardia
Afasto a morte para me acalmar
Abraço a luz deste luar.
Porto de abrigo quero encontrar
Afasto frio que vem do mar
Quem vive assim
Não tem um cobre
É dura a vida de quem é pobre
Busca no mar o seu sustento
Que triste vida triste lamento.
À beira Tejo chega a noite de mansinho
Roubo-te um beijo que me devolves com carinho
Ao ver-te ausente e a promessa desse beijo
Fico contente porque é tudo que desejo.

Nina

18 de maio de 2017

CONTEMPLAÇÃO






CONTEMPLAÇÃO
Saltei, brinquei, sorri e chorei
Senti o vento por mim a passar.
Vi os vaga-lumes no escuro a brilhar.
Vi as mariposas no céu a esvoaçar.
Não tenho mãe para dar uma flor, mas sei
Que lá do alto me dá seu amor.
Protegem-se a relva e a saudade, neste espaço.
Plantei ilusões, nasceram limões.
Há palavras ditas em orações, ao dizer te amo
Respondem os corações.
Nesta vida falta-me a vontade, o teu amor me fazia feliz.
Nesta hora de maldade, raiva e esperança
Neste dia subo ao céu num cordel, para colher palavras de confiança.
Pinto no mar, marés coloridas.
Meus passos perdidos, perdi anos, risos, abraços e vidas
Perdi teu amor, perdi a alegria ganhei o alento, ganhei muita força
Para lutar contra o vento.
Busquei tempestades busquei sete ventos
E quando achei que já sabia de tudo, descobri que
Para ser feliz basta apenas o momento.
Porque este é o tempo dos amores, dos poetas sonhadores,
O tempo dos amantes, e da saudade da clausura e da liberdade.
Quis pintar uma aguarela…, mas aí faltou-me a vontade.


28 de março de 2017

Noite do passado



A noite já desceu sobre o meu corpo
Cobrindo a minha face com tristeza
Neste meu coração acorrentado
Sufoca a minha voz ainda preza.

A noite já cobriu a minha alma
Trazendo a solidão à minha vida
Aguardo no refugio da saudade
Esta dor que me maltrata e me castiga.

A noite traz a sombra do passado
Traz amargo traz a dor que eu não quero
Eu sinto o coração tão apertado
Esquecer-me dessa noite eu assim espero.

Porém a minha noite é bem amiga
A noite não oculta a tua cor
Tu és meu bem meu mal a minha vida
És noite iluminada meu amor.




12 de março de 2017

SOMBRAS QUE FALAM

Chegaste na calada da noite, trazias a mágoa da longa viagem.
Mesmo sabendo que nada do que deixaste para trás ias encontrar.
Ficou apenas o vazio das paredes, agora despidas das fotos que antes lhe davam alegria.
Parti com a esperança de um dia te encontrar de certo saída
das páginas de um velho livro amarelecido pelo tempo.
Tempo em que esteve fechado no baú das nossas memórias.
Pela face te escorriam lentas duas lágrimas talvez as mesmas que trazias
quando vieste ao mundo…mundo que tudo o que te deu assim te tirou
porque nunca soubeste agarrar com as mãos… mãos que trazias sempre fechadas
onde nada entrou e nada saiu.
Estou longe porque não me podes ver, mas tão perto que te sigo
para todo o lado de mãos dadas ou na sombra!

Será esta a carta que nunca leste a mesma que um dia te escrevi.